A recrutadora sorriu por cima do notebook.
— Me conta, o que você sabe sobre a gente?
Carlos sentiu o estômago apertar. Ele tinha lido o site da empresa na noite anterior, mas era informação solta. Missão, visão, valores — tudo que toda empresa escreve e ninguém decora.
Ele respirou.
— Sei que vocês expandiram pra três estados no ano passado. E que o sistema de logística que vocês usam é próprio, não terceirizado.
A recrutadora ergueu a sobrancelha.
— Como você sabe disso?
— Li o relatório de mercado do setor. A Transportadora América — a empresa onde trabalho — é concorrente de vocês em duas rotas. Acompanho o movimento.
Ela anotou alguma coisa.
— E por que isso te interessa?
— Porque sistema próprio significa que a equipe de operações tem autonomia pra propor melhoria. Não depende de fornecedor externo. É o tipo de ambiente onde eu rendo mais.
A recrutadora fechou o bloco e sorriu de novo. Dessa vez foi diferente. Não era cortesia.
— Então me conta mais sobre o que você faria de diferente no nosso sistema.
Carlos sentiu que tinha passado a primeira barreira. Não adiantava saber o básico do site. O que fez diferença foi ter ido além: entender o mercado, a concorrência, conectar o conhecimento com a vaga.
*Continua em: 362 — Como perguntar sobre cultura da empresa na entrevista?*