A vaga era numa empresa multinacional. O recrutador avisou: a segunda etapa seria em inglês.
Carlos congelou quando ouviu.
Ele entendia bem. Lia relatórios, assistia vídeos, conseguia se virar em reunião. Mas entrevista era diferente. Não tinha contexto pra se apoiar.
— Treina comigo — Luísa disse.
— Você não fala inglês tão bem.
— Melhor que nada. Ou você prefere treinar sozinho?
Carlos passou a semana fazendo simulações. Luísa fazia perguntas em inglês, ele respondia, ela corrigia o que dava. As primeiras tentativas foram travadas. Ele esquecia palavras simples, enrolava as frases.
— Você tá pensando em português e traduzindo — Luísa disse. — Para de traduzir. Pensa em inglês.
— É difícil.
— É prática.
No dia da entrevista, Carlos entrou na chamada. A recrutadora era americana, falava devagar. Ele respondeu com calma. Errou o tempo verbal duas vezes, mas seguiu em frente. Não parou pra se corrigir. Só continuou.
No final, a recrutadora disse: "Your Portuguese is better than my English."
Ele riu.
— I doubt it.
Ela riu também.
Carlos entendeu que o inglês perfeito não existia. O que existia era coragem de falar mesmo errando.
*Continua em: 359 — Como perguntar para recrutador sobre próximos passos?*