A proposta estava na tela. Carlos já tinha lido três vezes. O salário era bom, os benefícios eram razoáveis, mas o vale-refeição era trinta e oito reais — abaixo dos quarenta e cinco que ele recebia na Transportadora.
— É uma diferença de cento e quarenta reais por mês — ele calculou.
— Não é nada — ele pensou. Mas também não era justo.
Ele lembrou do que o conselheiro de carreira falou sobre ajustes: "Não volte com uma lista. Volte com um ponto."
Carlos ligou pro recrutador na manhã seguinte.
— Oi, tudo bem? Recebi a proposta, agradeço muito. Só queria entender uma coisa: o vale-refeição é flexível? Porque na minha posição atual, recebo quarenta e cinco reais. O valor de trinta e oito impacta um pouco no orçamento.
— Deixa eu ver com o RH — o recrutador disse.
Duas horas depois, o recrutador respondeu por mensagem: "Consegui aprovar quarenta e dois pro vale. É o máximo. Fecha?"
Carlos pensou. Quarenta e dois não era quarenta e cinco, mas era mais perto. Ele aceitou.
Descobriu que ajuste não precisa ser pedido com peso de exigência. Pode ser conversa. E que as empresas às vezes têm margem, só não oferecem se ninguém pergunta.
*Continua em: 355 — Como pedir proposta após entrevista?*