O recrutador leu o currículo em silêncio, depois ergueu os olhos.
— Vi aqui que você teve um negócio próprio antes de entrar na Transportadora. Uma loja de acessórios pra celular, certo?
— Isso — Carlos disse. — Não deu certo.
Ele sentiu o peso da frase no ar. Foi rápido honesto demais? Devia ter enrolado?
— O que aconteceu? — o recrutador perguntou, sem julgamento.
Carlos respirou. Contou a história real. Montou a loja com um amigo numa época em que o mercado de acessórios tava aquecido. O problema foi gestão. Compravam muito estoque, vendiam bem no começo, mas a margem era pequena. O aluguel comeu o lucro. Depois de oito meses, fecharam.
— Cada um perdeu cinco mil reais — ele disse. — Foi um soco.
— E o que você aprendeu?
— Aprendi que negócio não se sustenta só com vendas altas. Precisa de controle de custo e fluxo de caixa. Na Transportadora, quando apareceu um projeto de otimização de processo, eu me voluntariei porque queria aprender a enxergar onde o dinheiro vai.
O recrutador sorriu.
— Você tá falando que o negócio quebrado te ensinou gestão?
— Exatamente.
— Isso é uma boa resposta.
Carlos saiu da entrevista entendendo que o fracasso não era um problema. O problema era não saber o que aprendeu com ele.
*Continua em: 353 — Como perguntar sobre benefícios na entrevista?*