A proposta chegou por e-mail numa terça-feira de manhã. Carlos abriu no celular, leu duas vezes, fechou e abriu de novo. Sete mil e duzentos. Benefícios: vale-refeição, plano de saúde, seguro de vida.
Ele esperava oito e quinhentos.
— É abaixo do que você pediu — Luísa disse, lendo por cima do ombro.
— Eu sei.
— Então responde.
— Agora?
— Agora.
Carlos pegou o notebook e começou a escrever. A primeira versão saiu assim: "Agradeço a proposta, mas gostaria de saber se há margem para negociação." Leu em voz alta. Parecia fraco.
Ele apagou e reescreveu: "Obrigado pela proposta e pelo tempo dedicado ao processo. Analisei os detalhes e, considerando minha experiência e as responsabilidades da posição, gostaria de saber se existe flexibilidade no valor oferecido. Minha expectativa inicial era de oito mil e quinhentos."
— Melhor — Luísa disse. — Mas coloca um número.
— Como assim?
— Não pergunta "se existe flexibilidade". Apresenta seu número. Mostra que você pesquisou.
Carlos ajustou: "Minha expectativa salarial é de oito mil e quinhentos. Acredito que esse valor reflete o mercado e a experiência que trago. Fico à disposição para conversarmos."
Enviou. Passou o resto do dia olhando o celular.
O recrutador respondeu no dia seguinte: "Oi Carlos, tudo bem? Entendemos seu ponto. Podemos subir pra sete e novecentos, é o máximo que a vaga comporta. Aceita?"
Carlos pensou. Não era o que ele queria, mas estava mais perto. Ele aceitou.
Descobriu que negociar não era brigar. Era apresentar o próprio valor com respeito — e saber a hora de fechar.
*Continua em: 352 — Como explicar empreendimento que não deu certo?*