O entrevistador fez a pergunta que Carlos considerava a mais perigosa de todas.
— E o ambiente na Transportadora, como era?
Carlos sentiu o gatilho. A vontade de desabafar veio quente. As reuniões intermináveis, a falta de reconhecimento, o processo burocrático que travava tudo.
Ele respirou. Lembrou do que o conselheiro disse: "Falar mal da empresa antiga é o erro mais comum numa entrevista. Você pode estar certo, mas vai soar como amargo."
— Era um ambiente profissional — ele disse. — Cada empresa tem seus desafios. A Transportadora tinha um processo muito estruturado, o que era bom pra aprender, mas às vezes limitava a autonomia.
O entrevistador esperou, como se aguardasse o veneno.
— Nada que me impedisse de entregar — Carlos completou. — Mas me fez perceber que eu quero um lugar com mais espaço pra iniciativa.
O entrevistador balançou a cabeça.
— E que tipo de iniciativa você gostaria de ter?
Carlos falou sobre os projetos que propôs e não foram aprovados. Sem rancor. Só fato. O entrevistador ouviu com atenção.
Depois que a chamada terminou, Carlos percebeu que tinha conseguido falar sobre os problemas sem soar como alguém que só reclamava. Falou dos problemas como aprendizados, não como feridas.
*Continua em: 351 — Como negociar salário com recrutador?*