Três dias depois da entrevista, o silêncio começou a pesar. Carlos olhava o celular a cada meia hora. Nada. Nem um e-mail. Nem um "recebemos seu currículo, obrigado".
Ele abriu o LinkedIn e procurou o nome do recrutador. Achou. Ficou olhando pra tela.
— Manda mensagem — Luísa disse, lendo por cima do ombro.
— Parece desespero.
— Parece profissional. Você fez a entrevista, gastou tempo, preparou respostas. Tem direito a saber como foi.
Carlos mordeu o lábio. Escreveu:
"Olá, [nome]. Tudo bem? Espero que sim. Queria agradecer novamente pela oportunidade. Se houver algum feedback sobre minha participação no processo, fico muito grato em receber. Abs, Carlos."
Leu três vezes. Mudou "ficou muito grato em receber" pra "agradeço se puder compartilhar". Leu de novo. Deletou tudo.
— O que você tá fazendo? — Luísa perguntou.
— Reformulando.
— Você já tinha uma versão boa. Manda.
Ele suspirou e colou a primeira versão de volta. Clicou em enviar.
O recrutador respondeu duas horas depois.
"Oi Carlos! Obrigada pela paciência. O feedback da equipe foi positivo, mas entendemos que sua experiência em gestão de projetos poderia ser mais robusta. Vamos manter seu currículo no banco para oportunidades futuras."
Carlos leu a mensagem. Não era um sim, mas também não era um não. Era informação. E ele só tinha porque perguntou.
*Continua em: 347 — Como perguntar sobre home office na entrevista?*