O entrevistador não olhou pra câmera quando começou a fala. Ele digitava alguma coisa, fazia careta, interrompia Carlos no meio das frases.
— Você fez faculdade em universidade particular? — ele perguntou, o tom meio ácido.
— Sim — Carlos respondeu.
— E acha que isso te preparou pro mercado?
Carlos sentiu a temperatura subir. A vontade de responder com grosseria veio. Ele segurou.
— Me preparou — ele disse, calmo. — Tive bons professores e projetos práticos que usei no dia a dia da minha última posição.
O entrevistador bufou.
— Toda faculdade particular fala isso.
Carlos parou. Respirou. Lembrou do que o conselheiro de carreira disse sobre entrevistadores difíceis.
— Eles não estão testando seu conhecimento. Estão testando sua reação. Não reaja. Responda.
— Posso dar um exemplo concreto? — Carlos perguntou.
O entrevistador levantou uma sobrancelha.
— Sim.
— No meu último projeto, usei uma metodologia que aprendi num trabalho de conclusão de curso. Reduziu em quinze por cento o tempo de resposta da equipe. O professor que orientou era da mesma universidade.
O entrevistador parou de digitar. Olhou pra câmera pela primeira vez.
— Me conta mais sobre esse projeto.
Carlos contou. Durante vinte minutos, sem ser interrompido. No final, o entrevistador agradeceu com um tom diferente.
— Boa tarde, Carlos.
A chamada encerrou. Carlos fechou o notebook e ficou olhando pra tela preta. Não deixou o cara tirar ele do sério. E no final, o cara até ouviu.
*Continua em: 346 — Como pedir feedback após entrevista?*