— E qual sua faixa salarial atual?
A pergunta veio no meio da conversa, jogada como quem pergunta as horas. Carlos piscou. O recrutador do outro lado da tela esperava, a caneta pairando sobre o bloco.
A mente de Carlos correu. Se ele dissesse o salário real, a proposta viria em cima daquele valor. Sempre vinha. Mas se ele aumentasse um pouco, ninguém ia verificar. Empresa não tem acesso à folha da outra.
Ele lembrou do que o conselheiro de carreira disse na última sessão.
— A pergunta mais difícil numa entrevista não é sobre o que você sabe. É sobre o que você está disposto a comprometer.
— Carlos? — o recrutador chamou.
— Meu salário atual é compatível com o mercado para a posição — ele respondeu. — Mas eu prefiro falar sobre minhas expectativas salariais baseadas no que eu entrego.
O recrutador anotou alguma coisa. Não pareceu incomodado.
— Beleza. Qual sua expectativa?
Carlos respirou. Tinha pesquisado no Glassdoor na noite anterior. Sabia o número exato.
— Entre oito e nove mil, dependendo dos benefícios.
O recrutador anotou de novo e seguiu para a próxima pergunta sem fazer cara feia.
Depois que a chamada terminou, Carlos ficou olhando pra tela. Não mentiu. Mas também não deu o salário real. Descobriu que dava pra ser honesto sem se prejudicar.
*Continua em: 343 — Como se vestir para entrevista de emprego?*