O link da videochamada estava aberto na tela, faltando cinco minutos. Carlos ajustou a camisa azul clara pela terceira vez, endireitou o fundo da estante que aparecia no quadro e sentou de novo. A mão dele suava no mouse.
Ele olhou para a descrição da vaga no bloco de notas. Analista de Operações Sênior. Salário compatível. Empresa grande. Requisitos: liderança de projetos, melhoria de processos, análise de dados.
Ele tinha tudo aquilo. Mas o peito continuava apertado.
— O que foi? — Luísa apareceu na porta do escritório com uma xícara de café.
— Nada. Tô bem.
Ela apoiou o ombro no batente.
— Você tá com a cara de quem vai prestar vestibular.
Carlos soltou o ar. Ela conhecia ele bem demais.
— E se eu não conseguir responder alguma coisa? E se eles perceberem que eu não sou tudo que coloquei no currículo?
Luísa entrou, colocou a xícara na mesa e sentou na beira da escrivaninha.
— O que você colocou no currículo que não é verdade?
— Nada.
— Então o que eles vão perceber?
Carlos abriu a boca, mas não saiu som.
— Você não precisa ser perfeito — ela disse. — Precisa ser honesto sobre o que você sabe e aberto sobre o que não sabe. É entrevista, não tribunal.
O notebook fez o som de chamada entrando. Carlos olhou para a tela, depois para Luísa.
— Vai — ela disse, já levantando. — Mostra pra eles o que o Carlos viu em você.
Ele respirou fundo e clicou em Aceitar. A tela mostrou uma sala de reunião com duas pessoas. Uma mulher de óculos redondos sorriu.
— Carlos? Obrigada pelo tempo. Vamos começar com você se apresentando?
— Claro — ele disse, e a voz saiu mais firme do que ele esperava.
*Continua em: 342 — Como mentir sobre salário atual na entrevista?*