Priscila estava sendo preterida. Carlos percebeu o padrão: toda vez que surgia um projeto interessante, ela ficava de fora. As justificativas eram vagas — "não é o perfil dela", "precisamos de alguém com mais experiência". Mas Priscila era tão boa quanto qualquer um.
Ela comentou com Carlos no almoço.
— Não sei se é porque sou mulher, porque sou nova… Só sei que estou sendo deixada de lado.
— Você já falou com o Carlos?
— Já. Ele disse que não é nada pessoal. Mas os fatos mostram o contrário.
Carlos ficou remoendo. Não queria se meter onde não era chamado. Mas pensou: se fosse com ele, gostaria que alguém falasse.
Pediu uma reunião com Carlos.
— Carlos, isso não é dedo-duragem. Mas a Priscila tem sido preterida nos projetos e ela está sentindo. Já vi o trabalho dela. É bom.
Carlos inclinou a cabeça.
— Você acha que estou sendo injusto?
— Não sei sua intenção. Mas o resultado é que ela está ficando de fora. E a equipe perde.
Carlos ficou em silêncio.
— Vou olhar isso.
Na semana seguinte, Priscila foi escalada para um projeto novo. Ela mandou mensagem pra Carlos.
— Não sei o que você falou, mas obrigada.
— Não falei nada demais. Só repeti o que eu via.
Ajudar um colega que está sendo prejudicado não é fazer barulho por ele. É ser a voz que falta quando ele não tem força pra falar sozinho.
Continua em: 1841 — Como lidar com as consequências de uma denúncia?