O excesso de horas extras estava virando regra. O que era exceção virou rotina. Primeiro, uma horinha a mais. Depois, duas. No fim, a equipe inteira estava saindo depois das vinte horas, sem adicional nem banco de horas.
— A gente precisa parar com isso — disse Priscila no café.
— Fala isso pra chefia — respondeu alguém.
— Sozinha não adianta. Se eu parar de fazer e os outros continuarem, quem fica mal sou eu.
Carlos ouviu e pensou. A ideia veio no dia seguinte.
— E se a gente combinar junto?
Reuniu o time numa sala. Seis pessoas. Explicou:
— A gente decide aqui: ninguém faz mais que uma hora extra por dia. Todas registradas em banco. Se o chefe reclamar, a gente fala junto.
— E se alguém furar o combinado? — perguntou Fábio.
— A gente cobra. É compromisso do grupo.
Todo mundo concordou. Assinaram um combinado informal num papel de pão. Alguém fotografou e mandou no grupo.
Na primeira semana, Carlos notou.
— O pessoal tá saindo mais cedo. O que houve?
— A gente combinou de equilibrar a carga — disse Carlos. — Todo mundo está fazendo hora extra quando precisa, mas registrando. É mais saudável.
Carlos não discutiu.
A partir daquele mês, as horas extras caíram 60%. A produtividade continuou a mesma. Carlos descobriu que sozinho é difícil mudar uma cultura. Mas em grupo, é possível.
Continua em: 1840 — Como ajudar colega que está sendo prejudicado?