Carlos estava no quarto ano na transportadora. O trabalho já não desafiava como antes. Ele resolvia os problemas no piloto automático, olhava o relógio a partir das três da tarde e sentia um peso no peito ao entrar no escritório.
— Você parece desanimado ultimamente — disse Luísa, numa noite no sofá.
— Não é desânimo. É que… parece que já sei tudo aqui. Não tem mais onde crescer.
— E o MBA?
— Mesmo com MBA, as posições aqui são limitadas. Não tem pra onde subir.
Luísa apoiou a cabeça no ombro dele.
— O que te prende?
— O medo de começar de novo. Entregar currículo, fazer entrevista, recomeçar do zero.
— Você fez isso quando saiu do interior. Deu certo.
Carlos passou o fim de semana mexendo no currículo. Atualizou o LinkedIn. Olhou as vagas. Na segunda, almoçou com Adalberto.
— Tô pensando em sair — confessou.
— Faz sentido. Você já deu o que tinha que dar aqui. O segredo é sair antes de ficar amargo.
Naquela noite, Carlos se inscreveu em três vagas. A primeira entrevista veio dois dias depois. O coração acelerou como fazia tempo.
Continua em: 1832 — Como conversar com colega sobre barulho no escritório?