Um contato do LinkedIn mandou mensagem propondo um freela: montar um dashboard logístico. O escopo era razoável, mas a proposta era irrisória — setecentos reais por um trabalho que levaria pelo menos vinte horas.
Carlos coçou a nuca. Precisava do dinheiro, mas o valor era tão baixo que desvalorizava o próprio trabalho.
— Setecentos reais por um dashboard completo? — repetiu em voz alta.
Mariana ouviu da mesa ao lado.
— Você vai aceitar?
— Tô pensando.
— Pensa rápido: quanto você cobra por hora?
— Umas cinquenta reais.
— Vinte horas dá mil. Menos que isso é loss.
Carlos olhou de novo pra mensagem. Queria responder que aceitava. Mas Mariana tinha razão.
— Quanto você pode pagar? — ele respondeu.
O contratante respondeu: "Poxa, orçamento tá curto. Setecentos é o máximo."
Carlos pensou em ceder. Digitou "fechado" três vezes. Apagou três vezes.
Respirou fundo.
— Entendo. Meu mínimo pra esse escopo é mil reais. Se couber no orçamento, topo. Senão, fica pra próxima.
O contratante demorou um dia para responder. Carlos já tinha aceitado perder o freela.
— Fechado em mil — veio a resposta.
Carlos sorriu sozinho na frente do computador.
Continua em: 1829 — Como representar os interesses da equipe?