O sindicato tinha marcado assembleia para a semana que vem. Carlos viu o e-mail e fechou sem pensar. Sempre tratou sindicato como algo distante, coisa de quem trabalhava em fábrica, não em escritório.
Foi Mariana quem trouxe o assunto no almoço.
— Você vai na assembleia?
— Acho que não. Não muda nada, né?
— Muda. Ano passado o sindicato negociou o vale-refeição. Você lembra que reajustou?
Carlos parou. Lembrava.
— Justo.
— Anda falando com o pessoal? O pessoal do chão de fábrica costuma ir. O escritório quase não aparece. Aí o sindicato negocia baseado em quem aparece.
Na volta do almoço, Carlos passou na mesa de Adalberto.
— Você vai na assembleia?
— Vou. Sempre vou. É o único momento que a gente tem voz de verdade.
— Nunca fui.
— Então vai essa vez. Só pra ver como é.
Carlos foi. A assembleia era num galpão perto do trabalho. Cadeiras de plástico, um microfone, gente de uniforme e de camisa social. Ele sentou no fundo e escutou. Pauta: reajuste salarial, plano de saúde, condições de trabalho.
— A chefia quer aumentar a meta sem aumentar a equipe — disse um representante.
Carlos olhou em volta. Conhecia metade das caras. Nunca tinha conversado com elas sobre isso. Voltou para o escritório pensando que talvez sindicato não fosse tão distante assim.
Continua em: 1827 — Como lidar com colega que não faz a parte dele?