Carlos percebeu o incômodo de Letícia antes dela falar. O supervisor de frota, um homem de uns cinquenta anos, vivia encostando nela. Um toque no ombro aqui, uma mão nas costas ali, um comentário sobre a roupa. Letícia ria sem graça, mas o corpo denunciava.
No intervalo, Carlos puxou ela de lado.
— Letícia, tudo bem?
— Tudo.
— Porque se não estiver, você pode me falar.
Ela demorou uns segundos. Olhou para os lados.
— O Seu Valdir… ele fica me tocando. Não é assédio? Eu não sei…
— Se te incomoda, é.
Letícia baixou a cabeça.
— Tenho medo de falar e perder o emprego.
— Você não vai perder. Deixa que eu dou o primeiro passo.
Carlos foi falar com Carlos. Fechou a porta.
— Temos um problema. O Valdir está assediando a Letícia. Toques, comentários.
Carlos franziu o cenho.
— Ela relatou?
— Pra mim. Agora. Ela tá com medo.
Carlos pegou o telefone.
— Vou chamar o RH. Você tem coragem de repetir o que ela te disse numa reunião?
— Tenho.
Na reunião, Carlos contou o que viu. O RH abriu uma investigação interna. Valdir foi afastado durante o processo. Letícia foi ouvida em separado, com acompanhamento. No fim, o supervisor foi desligado.
Carlos não salvou o dia. Mas ajudou a criar um ambiente onde Letícia podia falar.
Continua em: 1826 — Como conversar com colegas sobre pauta sindical?