Carlos soube pelo corredor: o técnico de logística tinha sido desligado na semana passada e até agora não tinha recebido as verbas rescisórias. O ex-funcionário, Seu Raimundo, estava ligando no RH três vezes por dia. O RH empurrava.
— Isso vai parar na Justiça — comentou Mariana no café.
— Alguém precisa resolver antes que vire processo.
Carlos pediu para falar com Carlos.
— Sei do caso do Raimundo. O pessoal do RH tá enrolando ele. Se isso virar processo, a empresa gasta mais com advogado do que pagando o que deve.
Carlos franziu a testa.
— O que você sugere?
— A gente senta, calcula o valor exato, liga pra ele e resolve. Direto.
Carlos concordou. Carlos puxou os dados: saldo de salário, férias vencidas, décimo terceiro proporcional, aviso prévio. Calculou tudo. Pediu autorização para o financeiro.
Pegou o telefone.
— Seu Raimundo? É o Carlos, da logística. Sobre sua rescisão: já temos o valor calculado. O senhor pode vir amanhã para acertar?
No dia seguinte, Raimundo saiu da transportadora com o pagamento na conta. Apertou a mão de Carlos.
— Obrigado, moço. Não queria processar ninguém não.
Carlos entendeu que prevenir processo não era sobre evitar briga. Era sobre fazer o certo antes de alguém precisar cobrar.
Continua em: 1825 — Como lidar com assédio de colega?