Carlos acordou cansado. Não era o cansaço de quem dormiu mal. Era um cansaço que vinha de dentro.
No trabalho, a pilha de tarefas só crescia. E-mail, relatório, reunião, planilha. Tudo ao mesmo tempo.
— Você tá diferente — Luísa notou no café da manhã.
— Só cansado.
— Mais que isso. Você tá irritado. Esquecendo as coisas. Dormindo mal.
— Tô sobrecarregado.
— Isso é burnout, Carlos. Precisa parar.
No trabalho, ele tentou ignorar. Mas no meio da tarde, sentiu o peito apertar. Uma ansiedade sem motivo.
Foi falar com Carlos.
— Preciso tirar uns dias. Não tô bem.
Carlos olhou pra ele.
— Já faz três meses que você não tira férias. Tira a semana.
— Mas o relatório…
— O relatório espera. Você não.
Carlos tirou a semana. No primeiro dia, dormiu até tarde. No segundo, caminhou com Luísa. No terceiro, leu um livro.
No quarto dia, sentiu a ansiedade diminuir.
— Você precisa de hobbies — Luísa disse. — Não pode viver só pro trabalho.
— Como você faz?
— Tenho o violão, a corrida, a série que assisto sem culpa. Coisas que não são produtivas. Só prazer.
Carlos entendeu. Burnout não vinha do nada. Vinha de ignorar os sinais por meses. Cuidar de si mesmo não era frescura. Era sobrevivência.
Continua em: 1821 — Fazer MBA