— Carlos, o relatório de maio precisa ser fechado até sexta — Carlos avisou.
— Vou pedir pro Bruno fazer.
Bruno tinha sido contratado há dois meses como assistente. Era dedicado, mas ainda inseguro.
— Bruno, quero que você feche o relatório de maio sozinho.
— Sozinho? — os olhos dele arregalaram.
— É. Você já me viu fazer. Tem o passo a passo no manual. Se travar, me chama. Mas tenta primeiro.
— E se eu errar?
— Errar faz parte. Se errar, a gente corrige juntos. Mas você só aprende fazendo.
Bruno passou a manhã no relatório. Carlos via ele consultando o manual, conferindo números, voltando pra planilha.
No fim da tarde, Bruno apareceu na mesa dele.
— Terminei. Pode conferir?
Carlos olhou. Estava correto. Alguns campos poderiam estar mais organizados, mas os números batiam.
— Tá bom. Manda pro Carlos.
— Só isso?
— Só. Na próxima vai mais rápido.
Bruno sorriu, aliviado.
No dia seguinte, ele fechou o relatório sozinho em metade do tempo.
Carlos entendeu: dar autonomia não era abandonar. Era dar espaço pro outro crescer. E confiar que ele ia conseguir.
Continua em: 1820 — Como cuidar do burnout?