— …e por isso o custo do frete aumentou — Carlos explicava na reunião. — Então o que eu sugiro é…
— Mas e se a gente renegociar com o fornecedor? — Rafael cortou.
Carlos parou. Rafael sempre fazia isso. Interrompia no meio da fala.
— Deixa eu terminar o raciocínio — Carlos disse, mantendo a calma. — Depois a gente debate.
Rafabel fez um gesto com a mão.
— Fala.
Carlos terminou a explicação. Depois, abriu espaço.
— Agora, sobre a renegociação: é uma possibilidade, sim. Mas o contrato atual tem multa de rescisão.
A reunião continuou. Carlos não deixou o hábito de Rafael tirar seu foco.
Depois, no café, Mariana comentou:
— Você lidou bem com o Rafael. Ele sempre interrompe.
— Já percebi. Aos poucos vou aprender a conduzir.
— É só não deixar ele tomar a frente. Quando você termina seu raciocínio, ele perde a força.
Carlos riu.
— É. O pior que você pode fazer é parar de falar. Aí ele ganha.
— Exato.
Carlos voltou pra mesa. Interrupção era falta de educação, mas também era teste. Se ele deixasse, passava por cima. Se ele segurasse o ponto, ganhava respeito.
Continua em: 1813 — Como discordar de um colega sem brigar?