Ele começou numa empresa nova e, inocente, tratava todo mundo igual. Fazia perguntas diretas, dava opiniões francas, ignorava hierarquias informais. Em duas semanas, o chefe dele o chamou para uma conversa: "Carlos, você está passando por cima de algumas pessoas."
Ele demorou a entender o que o chefe queria dizer. Aos poucos, foi mapeando a estrutura informal da empresa. Descobriu que não adianta só olhar o organograma. Existem pessoas que são "políticos" internos — aquelas que, mesmo sem cargo, têm influência sobre decisões. Ignorá-las custa caro: informações que você precisa não chegam, seu trabalho é boicotado, suas ideias são ignoradas.
O erro dele foi achar que competência técnica basta. Ele aprendeu que o jeito certo de identificar os políticos na nova empresa é: 1) observe quem as pessoas procuram para aprovar ideias antes de levar ao chefe; 2) perceba quem sempre fala nas reuniões e quem é sempre consultado nos corredores; 3) veja quem tem o ouvido do diretor; 4) mapeie alianças históricas (quem trabalhou com quem no passado); 5) nunca subestime a secretária ou o assistente — eles sabem de tudo. Trate todos com respeito, mas identifique quem realmente faz as coisas acontecerem.