Carlos ouviu o celular vibrar e, ao ler a mensagem, sentiu o déjà vu: "Aproveitando que você já está no projeto, poderia adicionar uma seção de relatórios?" Ele sabia que aquilo não estava no escopo original.
Antes, teria feito calado para não parecer difícil. Agora, abriu a tabela de horas extras que mantinha no computador.
Calculou: duas horas para planejar, oito para desenvolver, duas para revisar. Doze horas no total. Aplicou a taxa horária que usava como base.
— Posso incluir sim — respondeu. — Fiz uma estimativa rápida e o adicional fica em R$ 600. Se aprovar, já começo amanhã.
O cliente pediu um desconto. Carlos manteve o valor, mas ofereceu parcelar em duas vezes. Fechou o acordo.
Antes de começar a nova tarefa, atualizou o contrato com um aditivo simples e enviou para o cliente assinar. Cinco minutos depois, veio a confirmação.
Carlos aprendeu: cobrar por alteração não é ganância. É justiça com o próprio trabalho. E cliente que entende o valor não reclama — negocia.
Continua em: 1666 — Como recusar alterações fora do escopo combinado sem ser grosseiro?