Carlos estava grato pelo cliente que tinha. Pagava em dia, respeitava o trabalho, dava liberdade criativa. Mas o valor já não cobria os custos. Pedir mais parecia traição.
— Você não está pedindo esmola. Está pedindo o justo — lembrou o amigo.
Ele escreveu um rascunho. Depois apagou. Escreveu de novo. A ansiedade apertava os dedos no teclado.
Finalmente enviou: "Oi, queria conversar sobre o valor dos projetos. Estou muito feliz com a parceria, mas com o aumento dos custos e a complexidade das demandas, precisei rever minha tabela. Pensei em um ajuste de 20% a partir do próximo projeto. O que acha?"
O cliente respondeu no dia seguinte: "Carlos, você é o melhor profissional que já contratei. Dá para começar com 15%? Em três meses a gente revê."
Carlos fechou os olhos por um instante. O medo de parecer ingrato era maior do que a chance real de o cliente aceitar. E ele aceitou.
Pedir reajuste não era ingratidão. Era reconhecimento do próprio valor.
*Continua em: 1661 — Como organizar portfólio de freelancer*