A call estava marcada para as 15h. Carlos arrumou a camisa azul claro, ajeitou o fundo — nada de bagunça aparecendo — e testou o áudio. O coração batia mais rápido que o normal.
— É só uma conversa — disse Luísa, vendo ele ajustar a iluminação. — Você já faz isso todo dia no trabalho.
— É diferente. É um cliente novo.
— Mesma coisa. Mostra confiança.
O link do Google Meet tocou. Carlos atendeu.
— Oi, Carlos? Sou o Paulo. Obrigado pela disponibilidade.
— Oi, Paulo. Tudo bem? Prazer.
A conversa fluiu. O cliente explicou o projeto: uma análise de fluxo logístico. Carlos ouviu com atenção, fez perguntas pontuais. Em vez de só responder, ele mostrou entendimento:
— Pelo que você está descrevendo, o gargalo principal parece estar na interface entre o setor de compras e o almoxarifado. É por aí?
O cliente parou. — Exatamente. Como você sabe?
— Já trabalhei com um caso semelhante. Reduzimos o tempo de espera em 30% só reorganizando a comunicação entre as áreas.
Quando a call terminou, o cliente disse: "Gostei do seu perfil. Pode mandar a proposta?"
Carlos desligou e ficou olhando pra tela. Tinha sido só uma conversa. Mas ele tinha se preparado, ouvido com atenção e mostrado que entendia o problema. A entrevista não era um teste — era uma amostra do que ele entregaria.
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