Como processar calote de freela?

Carlos

O cliente sumiu. O projeto estava entregue há 45 dias e o dinheiro não tinha caído. Carlos já tinha mandado seis mensagens, três e-mails e duas ligações. Silêncio total.

— Você tem contrato? — perguntou o Carlos no almoço, quando Carlos contou o caso.

— Tenho. Um contrato de prestação de serviços, com escopo, valor e prazo de pagamento.

— Então prova. Junta tudo e vai num JEC.

— JEC?

— Juizado Especial Cível. Causa de até quarenta salários mínimos não precisa de advogado. Você entra com a ação sozinho.

Carlos anotou tudo. Em casa, organizou o dossiê: contrato assinado, prints das mensagens, e-mails, comprovante de entrega do serviço, notas fiscais. Separou cada documento numa pasta digital e outra física.

— É muita coisa — disse para Luísa, espalhando os papéis na mesa da sala.

— É seu direito. Ele recebeu o trabalho, não pagou. A justiça existe pra isso.

No dia seguinte, Carlos foi até o fórum. Na central de atendimento do JEC, uma atendente explicou o passo a passo. Ele preencheu o formulário, protocolou e recebeu um número de processo.

— Agora é esperar — disse ela.

— Quanto tempo?

— Uns 60 a 90 dias até a audiência.

Carlos saiu de lá com o papel na mão. A sensação era estranha — alívio misturado com cansaço. Ele não queria ter chegado até ali. Mas também não podia deixar passar.

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