Carlos estava no quarto, o notebook apoiado na mesa que também servia de escrivaninha. Olhava para a mensagem do cliente no WhatsApp: "Só mais uma coisinha..." Era a terceira "coisinha" naquela semana.
Ele sabia que, se não travasse o escopo, o freela ia virar uma bola de neve sem fim — o que ele chamava de "laya", aquele trabalho que se arrasta e nunca termina.
Respirou fundo e respondeu com calma:
— Entendi a demanda extra. Posso incluir no projeto, mas isso foge do escopo original. Precisamos ajustar o valor ou, se preferir, posso entregar só a próxima versão com essa funcionalidade.
O cliente demorou cinco minutos para responder.
— Certo, faz um orçamento do adicional.
Carlos abriu a planilha de horas, calculou o tempo extra e mandou o valor. Enquanto isso, criou um documento de escopo simples — duas páginas, tópicos, entregas claras, o que estava incluso e o que não estava.
Depois que enviou, sentiu o controle de volta. Freela sem escopo era como construir casa sem planta. Agora ele tinha as duas coisas.
Continua em: 1614 — Como recusar um freela?