O bilheite da professora veio na mochila do filho: "João está com dificuldade de acompanhar as atividades de leitura. Sugiro avaliação com o pedagogo."
Carlos leu três vezes. A primeira com apreensão, a segunda com culpa, a terceira com determinação. Guardou o papel e esperou a hora do jantar para conversar com Luísa.
— Luísa, a escola sugere uma avaliação pedagógica para o João. A professora falou em dificuldade de leitura.
Ela largou a colher na mesa.
— Isso é sério?
— Pode ser, mas também pode ser só o ritmo dele. O importante é a gente não ignorar.
No dia seguinte, Carlos ligou para a escola. Pediu para falar com a coordenadora pedagógica sem rodeios:
— Bom dia. Meu nome é Carlos, sou pai do João, do 3º ano. Recebi a orientação sobre avaliação pedagógica. Gostaria de agendar uma conversa para entender melhor o processo.
A coordenadora explicou que a avaliação era simples, que não tinha diagnóstico fechado, só mapeava as dificuldades para orientar o professor. Carlos ouviu tudo, anotou os próximos passos e agendou a reunião.
Desligou o telefone e sentiu um peso saindo dos ombros. Não era sobre falha dele ou do filho. Era sobre identificar cedo para ajudar melhor.
*Fim da cena — Mais sobre Trabalho_Narrativas*