Carlos parou na sala dos estagiários. Bateu na porta entreaberta.
— Pode entrar.
O estagiário de ensino estava corrigindo provas. A pilha de vermelho na mesa era grande.
— Tá ocupado?
— Tô, mas posso parar cinco minutos.
— Sobre a metodologia que você usou na última aula...
— A de estudos de caso?
— Isso. Os alunos reclamaram que ficou confuso.
— Confuso como?
— Eles não entenderam a relação entre o caso e a teoria.
O estagiário largou a caneta.
— Usei o caso pra ilustrar o conceito, mas talvez eu tenha ido direto pro caso sem contextualizar.
— Pois é. Talvez se você tivesse apresentado a teoria primeiro, o caso faria mais sentido.
— Você acha que eu devo inverter a ordem?
— Pode testar. Primeiro uma explicação curta do conceito, depois o caso pra aplicar.
— Tipo aula expositiva dialogada?
— Isso. Mas sem ser muito longo. Quinze minutos de teoria, o resto é prática.
— Vou tentar na próxima.
— E pede feedback no final. Pergunta se a metodologia ajudou.
— Boa ideia.
— Outra coisa: o material de apoio tinha erro.
— Qual?
— Na página três, o gráfico tá trocado.
O estagiário puxou o material e anotou.
— Vou corrigir hoje.
— Obrigado.
— Obrigado você. Ajuda muito esse feedback.
Carlos saiu e foi beber água. No corredor, encontrou a Mariana.
— Deu feedback no estagiário?
— Dei.
— E ele?
— Aceitou bem.
— Milagre.
— É só falar com respeito. Ele quer aprender.
Continua em: 1579 — Como pedir ao estagiário de ensino para revisar atividade avaliativa?