Carlos imprimiu o edital e levou pra sala do orientador. Bateu e esperou.
— Entra.
— Professor, o senhor viu o edital do projeto interinstitucional?
— Vi. É com a universidade federal, não é?
— Isso. Quero me candidatar.
O orientador recostou na cadeira.
— O projeto exige dedicação. Vai impactar sua pesquisa atual?
— Já pensei nisso. O tema do projeto é complementar ao que eu estudo. As metodologias são parecidas. Eu consigo conciliar.
— Como?
— As disciplinas do projeto são de tarde. Minha pesquisa é de manhã. Eu reorganizo o cronograma.
— E o artigo que você tá escrevendo?
— Posso adiantar a revisão bibliográfica. Aí fico só com a parte de análise quando o projeto começar.
O orientador ficou em silêncio. Olhou pro edital.
— É um bom projeto. E a equipe é boa.
— Pois é. Por isso quero entrar.
— Você já conversou com o coordenador do projeto?
— Ainda não. Quis falar com o senhor primeiro.
— Certo. Me mostra seu plano de conciliação.
Carlos abriu a mochila e tirou uma folha com um cronograma desenhado à mão. Colocou na mesa.
— Tá aqui. Minha pesquisa em azul, o projeto em verde. Onde tem conflito, eu coloquei em vermelho. Tem três pontos.
O orientador analisou.
— Esses conflitos você resolve como?
— O primeiro é um evento que eu poso faltar. O segundo é uma disciplina que tem oferta em outro horário. O terceiro eu negocio com o coordenador.
— Tá bem estruturado.
— O senhor aprova?
— Aprovo. Pode se candidatar.
— Obrigado, professor.
— Quando for falar com o coordenador, leva esse cronograma.
— Levo.
Carlos guardou a folha e saiu. No corredor, passou a mão no cabelo e sorriu.
Continua em: 1573 — Como falar com colega sobre divisão de tarefas no grupo?