Como ser mentorado por um colega mais velho?

Carlos

Seu Otávio tinha virado uma referência para Carlos. Sempre que tinha dúvida, ele perguntava. E Seu Otávio respondia — seco, mas respondia.

Mas Carlos queria mais. Queria aprender de forma estruturada, não apenas nos corredores.

— Seu Otávio, o senhor aceitaria ser meu mentor? — ele perguntou.

— Mentor? Isso é coisa de firma americana.

— É que o senhor sabe coisas que não estão em nenhum manual. Eu queria aprender.

Seu Otávio ficou em silêncio.

— Tá bom — ele disse. — Mas não é reunião marcada. É no dia a dia. Você pergunta, eu respondo. Você erra, eu corrijo.

— Perfeito.

A mentoria informal começou. Carlos levava dúvidas concretas. Nunca abstratas. Mostrava o que tinha feito e pedia opinião.

Seu Otávio apontava o que estava errado e, mais importante, explicava por que estava errado.

— Isso aqui você fez do jeito mais difícil — ele disse um dia. — Por que você não perguntou antes?

— Queria tentar sozinho.

— Tentar sozinho é bom. Mas ficar com dúvida e não perguntar é burrice.

Carlos entendeu. Ser mentorado não era sobre receber respostas prontas. Era sobre ter alguém que aponta o caminho, mas não anda por você.

Ele começou a perguntar mais. E a errar menos.

No fim do projeto, Seu Otávio disse:

— Você aprende rápido.

— Tive um bom professor.

— Tive um bom aluno — Seu Otávio respondeu. E dessa vez, sorriu.

*Continua em: 158 — Como lidar com parceiros de negócio?*