O relógio marcava dezoito e quarenta. Carlos estava fechando o notebook quando a mensagem chegou no grupo.
— Carlos, precisa publicar o relatório ainda hoje. O cliente pediu.
Era o Carlos.
Carlos olhou pro relatório. Estava pronto desde as três da tarde. Mas a revisão final demorava uns quarenta minutos.
Ele respirou. Digitou a resposta.
— Carlos, o relatório tá pronto desde às quinze. Só falta revisão. Posso revisar amanhã cedo, primeiro coisa.
— O cliente quer hoje.
Carlos olhou pra tela. A mochila já estava arrumada. O ônibus passava em vinte minutos.
— Hoje não dá. Eu tenho um compromisso. Posso estar amanhã às seis e meia e revisar antes da reunião das oito.
— Seis e meia?
— Sim. Entrego revisado até as sete e meia.
Houve uma pausa. Três pontinhos apareceram. Sumiram. Apareceram de novo.
— Fechado. Obrigado, Carlos.
Carlos fechou o notebook. Guardou na mochila. No caminho pro ponto, passou na padaria e comprou pão. A Mariana encontrou ele na porta do prédio.
— Saiu cedo.
— Recusei hora extra.
— Como?
— Ofereci alternativa. Amanhã cedo.
— E ele aceitou?
— Aceitou.
— Funciona sempre?
— Quase sempre. É só não falar "não" seco. Oferece outra solução.
Ela balançou a cabeça.
— Vou tentar.
— Tenta.
Carlos seguiu andando. O sol estava baixo, a rua mais calma. O ônibus chegou no ponto enquanto ele acenava.
Continua em: 1567 — Como negociar salário com múltiplas ofertas?