Carlos estava no escritório quando o telefone tocou. Era um número que ele não salvou.
— Carlos?
— Quem fala?
— É o André, da consultoria. O Carlos me passou seu contato. A gente conversou sobre uma parceria mês passado.
— Lembro.
— Queria saber se você topa almoçar essa semana. Pra gente alinhar.
Carlos olhou a agenda. Terça estava cheia. Quarta também. Quinta tinha um buraco de uma hora.
— Quinta, meio-dia. Mas não no restaurante caro. Eu escolho o lugar.
— Fechado.
No dia, Carlos chegou antes. Escolheu uma mesa no fundo, onde dava pra conversar sem gritar. O André chegou com um sorriso largo e a mão estendida.
— E aí, cara.
— Fala.
Pediram comida. O André começou a falar do portfólio, dos cases de sucesso, dos clientes que tinha atendido. Carlos ouviu. Deixou ele falar.
— Que cliente te deu mais trabalho?
— Como assim?
— Qual cliente foi mais difícil de lidar?
O André parou. Tomou um gole de água.
— Teve um que a gente não se alinhou na expectativa. Ele queria resultado em um mês, mas o processo leva três.
— E o que você fez?
— Expliquei, mas ele não quis ouvir. A parceria não deu certo.
— E você acha que foi culpa de quem?
— Dos dois. Eu não fui claro no começo. Ele não perguntou. A gente fez o contrato sem detalhar.
Carlos apoiou o garfo.
— Se a gente fechar, eu vou querer reunião semanal de alinhamento. E tudo documentado.
— Tranquilo.
— E eu quero referência de dois clientes que não deram certo.
— Posso passar.
— Então a gente marca uma segunda conversa depois que eu ligar pras referências.
O André sorriu.
— Você é direto.
— Melhor assim.
Pagaram a conta. Carlos apertou a mão do André e voltou pro escritório anotando no celular: "André — verificar referências."
Continua em: 1566 — Como recusar hora extra?