Carlos estava na mesa desde as oito da manhã. O café esfriava no copo enquanto ele revisava a mesma planilha pela terceira vez. O cansaço já não era mais físico — era um peso atrás dos olhos, uma névoa que não sumia com café.
Bateu na porta do Carlos.
— Pode entrar.
Carlos sentou na cadeira de frente pra mesa. O Carlos fechou o notebook e apoiou os braços na mesa.
— Fala.
— Preciso pedir um negócio.
— Pode falar.
— Tô precisando tirar férias.
O Carlos não respondeu de imediato. Pegou a caneta e girou entre os dedos.
— Quando você tirou pela última vez?
— Ano passado, mas foram só cinco dias.
— Cinco dias? E o resto?
— Acabei não tirando. Teve a entrega do sistema novo, depois o treinamento...
— Sete meses sem férias de verdade.
— Isso.
O Carlos abriu a gaveta, pegou o calendário impresso e estendeu na mesa.
— Escolhe.
Carlos olhou para o calendário. As semanas se empilhavam, cheias de reuniões e prazos. Mas ele apontou para um período de quinze dias.
— Esse aqui.
— Por que esse?
— Porque é depois da entrega grande. Não vou deixar pendência.
— Então tá. Aprovo. Mas com uma condição.
— Qual?
— Você desliga. Nada de olhar e-mail, nada de mensagem no grupo. Férias de verdade.
Carlos respirou fundo.
— Combinado.
— Segunda-feira você leva o formulário que eu assino.
— Obrigado, Carlos.
— Se cuida.
Carlos saiu da sala com o calendário na cabeça. Os dias parados pareciam distantes, mas já estavam reservados. Ele foi até a mesa e anotou no bloquinho: "Férias — não olhar nada."
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