Carlos não pedia promoção. Ele só trabalhava. Fazia o que precisava ser feito, entregava no prazo, resolvia problema que ninguém queria resolver. Quando o Carlos chamou ele na sala, ele achou que era mais um feedback.
— Senta.
Carlos sentou. O Carlos pegou um envelope na gaveta.
— Você sabe que eu tô saindo.
— Sei.
— A gerência vai ficar vaga. A diretoria decidiu não abrir processo seletivo.
— Como assim?
— Você assume.
O envelope tinha a carta de promoção. Carlos abriu e leu: Analista Sênior, com aumento de trinta por cento.
— Eu não pedi — ele disse.
— Não precisou. A gente viu. Você treinou o Rafael, resolveu o problema do cronograma, assumiu a reunião quando precisou. Seu trabalho pediu por você.
Carlos segurou a carta. O papel era simples, grampeado, mas pesava na mão.
— Obrigado, Carlos.
— Não agradece. Mereceu.
Quando saiu, a Mariana estava perto do café.
— Foi convocado?
— Fui promovido.
— Pediu?
— Não.
Ela riu.
— Inacreditável.
Carlos foi até a mesa, colocou a carta no meio da agenda aberta e ficou olhando para ela. O ar condicionado zumbia baixo.
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