Carlos estava desempregado. A empresa tinha passado por reestruturação, e ele foi cortado junto com outros analistas. Três meses de procura, várias entrevistas, e agora a oferta tinha saído: cinco mil e duzentos.
— É abaixo do que eu ganhava — ele disse para a Luísa, em casa.
— Você vai aceitar?
— Preciso trabalhar.
— Mas precisa aceitar qualquer coisa?
Carlos ficou em silêncio. Na manhã seguinte, ligou para o recrutador.
— Olá, tudo bem? Recebi a proposta. Agradeço muito. Mas queria conversar sobre o salário.
— Pode falar.
— O valor está abaixo da minha última remuneração. Sei que a empresa tem um teto, mas queria saber se existe margem para negociar.
— Quanto você está buscando?
— Seis mil. É o que eu ganhava antes.
— Deixa eu ver com o RH.
Dois dias depois, o retorno: seis mil. Carlos atendeu o telefone sentado no sofá, o Toby no colo.
— Aceito. Muito obrigado.
Desligou e olhou para a Luísa.
— Deu certo.
— Você pediu?
— Pedi.
Ela sorriu. O Toby abanou o rabo, sem entender nada. Carlos passou a mão na cabeça do cachorro e soltou o ar que estava segurando.
Continua em: 1560 — Como ser promovido sem pedir?