O Rafael chegou branco. Sentou na mesa e ficou em silêncio. Carlos percebeu na hora.
— O que foi?
— O supervisor do almoxarifado. Gritou comigo na frente de todo mundo. Me chamou de incompetente.
— Dentro do seu horário?
— Sim. Na frente da equipe toda.
Carlos fechou o notebook.
— Isso é assédio moral. Você sabe?
— Sei. Mas não sei o que fazer.
— Você vai ao sindicato. Eu vou com você.
— Agora?
— Agora.
Eles pegaram o carro do Carlos e foram até a sede do sindicato, um prédio antigo no centro. A recepcionista pediu para aguardar.
Um senhor de cabelo branco atendeu. Ouviu o relato, anotou tudo, pediu documentos.
— Isso é grave — ele disse. — Vamos notificar a empresa.
— E ele? — Carlos perguntou, apontando para o Rafael.
— Fica tranquilo. Temos o departamento jurídico. Não vão retaliar.
Na volta, o Rafael olhava pela janela. O sol batia no rosto dele.
— Obrigado — ele disse.
— Não precisa.
— Precisa sim.
Carlos ligou o rádio bem baixo e seguiu dirigindo.
Continua em: 1559 — Como negociar salário estando desempregado?