A pós tinha começado. Terças e quintas, dezenove horas. O problema é que o Carlos tinha pedido hora extra para fechar o projeto justamente nas terças.
Carlos ficou parado na frente do e-mail por vinte minutos. Custou a escrever. Depois apagou. Escreveu de novo.
No dia seguinte, ele bateu na porta do Carlos.
— Precisa de algo?
— Preciso falar sobre as terças.
— Senta.
Carlos sentou. A cadeira rangeu.
— Eu comecei a pós-graduação. Terça e quinta. A aula é às dezenove. Não consigo fazer hora extra nesses dias.
O Carlos apoiou o queixo na mão.
— E o projeto?
— Posso compensar na segunda e na quarta. Ou chegar mais cedo. Mas terça eu não consigo.
— É importante esse curso?
— É. Pra carreira.
O Carlos ficou olhando para ele por uns segundos. Depois pegou o calendário na mesa.
— Segunda e quarta então. Fecha com a Mariana os horários.
— Obrigado, Carlos.
— Só não deixa o projeto atrasar.
— Não vou deixar.
Carlos saiu da sala e foi para a mesa. Abriu a agenda e anotou: segunda e quarta, hora extra. O relógio marcava dezessete e quarenta e oito.
Continua em: 1554 — Como motivar um liderado desanimado?