O Carlos tinha batido o martelo. A estratégia estava definida. Mas Carlos sabia que o plano ia dar errado. A equipe não tinha capacidade para o volume prometido.
— Carlos, posso falar uma coisa?
— Fala.
— Eu respeito sua decisão. Mas queria mostrar um dado antes da gente fechar.
O Carlos inclinou a cabeça.
— Mostra.
Carlos abriu a planilha no notebook. Apontou para a coluna de capacidade da equipe.
— A gente tem três pessoas alocadas em outros projetos. Se a gente assumir esse volume, duas vão ter que fazer hora extra por três semanas. Isso historicamente aumenta erro e reduz qualidade.
— Você tá sugerindo o que?
— Reduzir o escopo em vinte por cento ou esticar o prazo em duas semanas. Não é teimosia. É baseado nos números.
O Carlos ficou em silêncio. Ajustou os óculos.
— Me manda a análise por escrito até amanhã.
— Mando.
— Se eu concordar, a gente reapresenta pro cliente.
— O.k.
Carlos fechou o notebook e saiu. O coração batia forte, mas ele manteve o passo calmo. No corredor, a Mariana olhou para ele.
— Você discordou do Carlos na reunião?
— Discordei.
— E tá vivo?
Carlos riu baixinho e seguiu andando.
Continua em: 1551 — Como suceder um líder que saiu?