O estagiário se chamava Lucas, vinte e dois anos, recém-formado, ansioso para mostrar serviço.
Nas primeiras semanas, Lucas perguntava tudo. Carlos respondia, explicava, mostrava. Mas as perguntas não paravam.
— Carlos, como que faz esse relatório?
— Carlos, o sistema não abre aqui.
— Carlos, o Carlos falou pra eu fazer isso, mas não entendi.
No começo, Carlos achava cansativo. Toda interrupção quebrava o foco.
Um dia, Lucas apareceu com uma sugestão.
— Carlos, e se a gente automatizar essa planilha? Eu vi um tutorial de macros que pode fazer em segundos o que a gente leva uma hora.
Carlos olhou a sugestão. Era boa. Muito boa.
— Você sabe fazer isso?
— Sei. Eu aprendi no curso.
— Então faz. Me mostra depois.
Lucas fez. Funcionou.
Carlos percebeu que estava tratando o Lucas como um peso, quando ele era na verdade um recurso que ele não estava usando.
Na semana seguinte, quando Lucas fez outra pergunta, ele respondeu diferente.
— Lucas, ao invés de eu explicar, que tal você tentar resolver e me mostrar depois o que descobriu? Se travar, a gente vê junto.
— Pode ser.
No dia seguinte, Lucas voltou com a resposta. Tinha descoberto sozinho.
Carlos aprendeu que colega mais novo não é só alguém que precisa de ajuda. É alguém que pode ensinar também — se você der espaço.
*Continua em: 156 — Como ser mentor de um colega mais novo?*