O Rafael era novo na equipe. Três meses de casa, olhar perdido nas reuniões, caderno cheio de anotações. Carlos lembrava de si mesmo quatro anos atrás. O Carlos tinha batido na mesa dele um dia.
— Carlos, o Rafael é seu.
— Meu como?
— Seu mentorando. Ensina o que você aprendeu.
Agora estavam na sala de café. Rafael segurava o copo de papel com as duas mãos.
— Eu não quero parecer burro perguntando — ele disse.
— Pergunta. É mais burro não perguntar e fazer errado.
Rafael riu, aliviado.
— Como que você prioriza as tarefas? Quando chega demanda de todo lado…
Carlos puxou um guardanapo e desenhou uma matriz de quatro quadrantes.
— Urgente e importante primeiro. Depois importante mas não urgente. O resto é barulho.
— E quando o Carlos pede algo em cima da hora?
— Você pergunta: isso substitui o que eu tô fazendo ou é depois? Você não advinha.
Rafael anotou tudo no caderninho. Carlos tomou um gole de café.
— Toda semana a gente se encontra assim. Me traz suas dúvidas. A única regra: se tiver travado num problema por mais de uma hora, me chama. Não fica sofrendo sozinho.
— Combinado.
Carlos bateu a mão no ombro do rapaz e voltou para a mesa. O café ainda estava quente na mão.
Continua em: 1543 — Como conduzir uma reunião produtiva?