Como lidar com colegas mais velhos?

Carlos

O novo integrante da equipe se chamava Seu Otávio. Cinquenta e poucos anos, quarenta de experiência no setor, contratado como consultor sênior.

Carlos não sabia como se aproximar. Seu Otávio parecia saber mais que todo mundo. Na primeira reunião, ele apontou três furos no plano que a equipe levou um mês para montar.

— Isso aqui não funciona desde 2018 — Seu Otávio disse, apontando o cronograma. — Já tentei três vezes.

O silêncio na sala foi constrangedor.

Carlos pensou que o cara era difícil. Mas também reparou que ele estava certo.

Na semana seguinte, Carlos teve uma dúvida sobre um processo antigo. Podia perguntar ao Carlos. Podia pesquisar no sistema. Ou podia perguntar a quem tinha vivido aquilo.

Ele foi até a mesa do Seu Otávio.

— Seu Otávio, o senhor tem um minuto?

— Depende.

— É sobre o processo de homologação de fornecedores. Eu vi que a documentação exige uma certidão que não existe mais.

Seu Otávio ergueu uma sobrancelha.

— Você descobriu isso sozinho?

— Sim. O sistema aponta o documento, mas ele foi extinto em 2020.

— Pois é. Ninguém atualizou. Você quer saber como resolver?

— Quero.

Seu Otávio explicou. O passo a passo. O contato certo. O atalho que ninguém ensinava.

No fim, ele disse:

— Você é o primeiro que vem me perguntar sem achar que sabe tudo.

— O senhor tem experiência que eu não tenho — Carlos respondeu. — Seria burrice não usar.

Seu Otávio sorriu. Foi a primeira vez que Carlos viu ele sorrir.

Depois daquilo, a relação mudou. Seu Otávio passou a incluir Carlos nas discussões. Carlos aprendeu que experiência não se impõe — se reconhece.

*Continua em: 155 — Como lidar com colegas mais novos?*