A auditoria tinha apontado uma série de não conformidades. O relatório estava na mesa do Carlos. Carlos precisava implementar as correções, mas o prazo era apertado.
Ele bateu na porta da sala do Carlos.
— Pode entrar.
— Carlos, sobre as exigências da auditoria. O prazo de trinta dias é curto.
— O que precisa?
— A atualização do sistema de rastreamento. O fornecedor disse que leva quarenta e cinco dias pra entregar.
— E o que você sugere?
— A gente divide em etapas. O que é possível fazer em trinta dias, a gente faz. O resto, eu documento o plano e peço extensão pro auditor.
Carlos recostou na cadeira.
— Já conversou com o auditor?
— Ainda não. Queria seu aval primeiro.
— Me mostra o plano.
Carlos abriu o notebook e mostrou a planilha. As tarefas estavam organizadas em cores: verde para o que cabia no prazo, amarelo para o que era arriscado, vermelho para o que precisava de extensão.
Carlos olhou em silêncio.
— Tá bem estruturado. Pode apresentar pro auditor.
— Então vou acionar ele hoje.
— Uma coisa, Carlos.
— Fala.
— Próxima vez, não espera o prazo apertar pra me avisar. Me mostra antes.
— Justo. Foi mal.
— Feito. Vai lá.
Carlos saiu com o notebook debaixo do braço. O corredor estava silencioso. A luz do fim de tarde entrava pela janela no final, formando um quadrado amarelo no chão. Ele pisou dentro da luz por um segundo antes de virar a esquina.
Continua em: 1539 — Como conversar sobre salário com colega de forma sigilosa?