Era a terceira vez no mês. O fornecedor de matéria-prima, a MetalTech, tinha atrasado a entrega outra vez. Carlos olhou o relógio. 14h30. A carga devia ter chegado às 9h.
— De novo? — Mariana perguntou.
— De novo.
— Você vai ligar?
— Vou.
Carlos discou. O telefone chamou três vezes até alguém atender.
— MetalTech, boa tarde.
— Aqui é Carlos, da Transportadora América. Preciso falar com o responsável pelos pedidos.
— Um momento.
Ele esperou, os dedos tamborilando na mesa. A música de espera era um jazz genérico.
— Pois não, Carlos. É o Renato.
— Renato, terceiro atraso esse mês. O que tá acontecendo?
— Problema na produção. Máquina quebrou.
— Entendo. Mas a gente tem contrato. O atraso gera multa pra vocês e prejuízo pro meu cliente.
— Eu sei. Tô tentando resolver.
— Quando sai?
— Amanhã cedo.
— Não é amanhã cedo. O combinado era hoje 9h. Se não sair até 17h, vou precisar acionar a cláusula de multa.
Silêncio.
— Vou ver o que posso fazer. Te ligo de volta.
— Certo. Aguardo.
Carlos desligou. Olhou pela janela. O céu estava nublado, nuvens cinzentas se movendo devagar.
— Vai dar certo? — Mariana perguntou.
— Não sei. Mas se não der, a multa cobre. E a gente procura outro fornecedor.
— Você tá puto.
— Não. Só cansado de desculpa. Uma vez é imprevisto. Três vezes é desorganização.
O telefone tocou. Carlos atendeu.
Continua em: 1534 — Como trocar de fornecedor sem queimar pontes?