A sala de reunião era pequena. Uma mesa redonda, cadeiras de couro sintético e um ar condicionado que fazia barulho. Carlos estava sentado com a representante da transportadora terceirizada, uma mulher de terno azul marinho e pasta na mão.
— Carlos, a gente precisa reajustar o valor do frete. O diesel subiu 12%.
— Sei. A gasolina afeta vocês direto.
— Direto. Tá inviável manter a mesma tabela.
Carlos abriu a pasta na frente dele. Os papéis estavam grampeados, com anotações a lápis na margem.
— Eu entendo. Mas a gente fechou contrato de seis meses. Faltam três.
— Três meses com prejuízo.
— A alternativa é a gente revisar agora, mas com reajuste menor, e estender o contrato por mais seis meses depois. Garantia pra vocês, previsibilidade pra gente.
A mulher inclinou a cabeça.
— Qual reajuste?
— Seis por cento agora. Mais seis no final, se o diesel continuar alto.
— Oito.
— Sete e meio, e a gente prioriza as rotas de vocês nos horários nobres.
Ela bateu a caneta na pasta.
— Fechado.
— Fechado.
Eles apertaram as mãos. A palma dela era firme, profissional. Carlos guardou a pasta e sentiu o papel do contrato no bolso interno do paletó. A reunião tinha durado dezoito minutos.
Continua em: 1533 — Como lidar com um fornecedor que atrasa?