Seu Aldo, 58 anos, quarenta deles na transportadora, ajustou os óculos na ponta do nariz.
— Esse sistema novo é uma droga. O antigo funcionava.
— Sei que é difícil se acostumar — Carlos disse.
— Difícil? É um absurdo. Eu fazia tudo no papel. Rápido. Certo.
Carlos puxou a cadeira e sentou ao lado.
— Seu Aldo, me mostra como o senhor fazia no papel?
— Pra quê?
— Pra eu entender a lógica. Quem sabe a gente adapta o sistema novo pro seu jeito.
Seu Aldo franziu a testa. Depois pegou uma caneta e um papel e começou a desenhar o fluxo que usava havia décadas. O traço era firme. As anotações, precisas.
— Aqui — ele disse. — Esse era o passo a passo.
Carlos olhou para o papel.
— O senhor tem razão. O sistema novo não segue essa ordem. Mas a gente pode reordenar os campos.
— Pode?
— Posso solicitar. É uma configuração.
— Hum.
Seu Aldo ficou em silêncio por um momento. Depois apontou para o monitor.
— Me mostra esse tal de reordenar.
Carlos passou a tarde com ele. Quando saiu, o corredor já estava escuro e as luzes do estacionamento piscavam.
— Amanhã termino — Seu Aldo disse. — Valeu, Carlos.
— Amanhã a gente ajusta junto.
Seu Aldo deu um tapinha no ombro dele. A mão era pesada e quente. Carlos sentiu o peso daqueles quarenta anos de experiência num único gesto.
Continua em: 1525 — Como lidar com colegas mais novos?