A Mariana foi promovida. Merecia. Trabalhava duro, entregava resultado, era querida por todo mundo. Carlos sabia disso. Mas quando o anúncio saiu, ele sentiu um aperto.
— Ela merece — ele disse em voz alta, como se precisasse se convencer.
No almoço, a equipe fez uma comemoração improvisada. Carlos foi. Bateu palmas, deu um abraço na Mariana.
— Tô feliz por você.
— Obrigada, Carlos. Você é o próximo.
— Quem sabe.
Ele voltou para a mesa. Abriu o notebook. Começou a escrever um plano de desenvolvimento pessoal. Não era sobre ela. Era sobre ele. O sucesso dela não diminuía o dele.
À noite, chegou em casa e encontrou a Luísa na cozinha.
— A Mariana foi promovida.
— E você?
— Fiquei feliz por ela.
— Só?
— E um pouco apertado.
— Normal. Mas você sabe que o seu tempo vai chegar.
— Sei.
Ele sentou no sofá. O Toby deitou no pé dele. A sensação de aperto foi passando. Não precisava ser agora. Só precisava seguir.
*Continua em: —*