Carlos descobriu por acaso. Estava ajudando um colega novo a configurar o sistema quando viu o contrato aberto na mesa.
O salário do novato era maior que o dele.
Ele fechou a janela rápido. Mas o número já tinha entrado.
Passou o resto do dia com aquilo martelando na cabeça. Ele tinha quatro anos de casa. Entregava resultados. Recebia feedback positivo. E o cara que acabou de chegar ganhava mais.
Na semana seguinte, ele pediu uma conversa com o Carlos.
— Carlos, eu tive acesso a uma informação que não devia. Sei que o salário de um colega novo é maior que o meu.
Carlos não mudou a expressão.
— Isso te incomoda?
— Muito. Eu tenho quatro anos de casa. Conheço os processos. Entrego resultado. E um recém-chegado ganha mais que eu.
— O mercado mudou — Carlos disse. — O salário dele foi negociado no contexto de hoje. Não é pessoal.
— Mesmo assim. Me sinto desvalorizado.
— O que você quer fazer?
— Quero entender o que eu preciso fazer pra ter um salário compatível com o que eu entrego.
Carlos pegou a caneta.
— Então a gente não vai falar do salário dele. A gente vai falar do seu. Me traga entregas, resultados, impacto. Se o seu desempenho justificar, a gente conversa com o RH.
Carlos saiu da sala. A conversa não tinha sido confortável. Mas tinha sido profissional. Ele foi para a mesa e começou a organizar o portfólio de entregas.
Não era sobre o salário do outro. Era sobre o valor do próprio trabalho.
*Continua em: 153 — Como lidar com o sucesso de um colega?*