O Fábio estava estranho há semanas. Chegava atrasado, errava coisas simples, ficava disperso nas reuniões. Todo mundo notava, ninguém falava.
Carlos esperou o horário do almoço. Os dois estavam na cozinha.
— E aí, Fábio, tá tudo bem?
— Tô.
— Você não parece.
Fábio virou o rosto.
— É coisa pessoal.
— Quer conversar?
— Não.
Carlos não insistiu. Mas no fim da tarde, mandou uma mensagem: "Se precisar de alguém pra ouvir, tô aqui. Sem julgamento."
Fábio não respondeu.
Dois dias depois, ele apareceu na mesa do Carlos.
— Aquela mensagem… obrigado.
— Tô aqui.
— Minha esposa pediu separação. Tô meio perdido.
Carlos ouviu. Não deu conselho. Só ouviu.
— Se quiser almoçar junto amanhã, a gente pode.
— Vou querer.
*Continua em: 1513 — Como lidar com colega folgado*