A reunião tinha acabado e o pessoal estava saindo da sala quando o Júlio soltou a piada.
— Parece que o departamento feminino vai crescer — ele disse, rindo. — Tomara que venham gente bonita.
Alguns riram. Carlos não riu.
Ele olhou para a Renata, que estava na porta. Ela fingiu que não ouviu, mas o desconforto era visível.
Carlos guardou o caderno e saiu. Ficou remoendo aquilo o resto do dia.
No dia seguinte, ele viu o Júlio na copa.
— Júlio, posso falar uma coisa?
— Claro.
— Ontem na reunião, a piada que você fez. Sobre as novas contratadas.
Júlio franziu o cenho.
— Foi brincadeira.
— Eu sei. Mas esse tipo de piada deixa as pessoas desconfortáveis. A Renata ficou sem graça.
Júlio ficou em silêncio.
— Você acha que ela se ofendeu?
— Não sei. Mas não é sobre ela. É sobre o ambiente. Esse tipo de coisa mina o respeito.
Júlio coçou a nuca.
— Foi mal. Não pensei.
— Sei que não foi maldade. É que algumas piadas não colam mais.
Júlio assentiu. E não fez mais piadas daquele tipo.
Carlos não tinha virado o fiscal do politicamente correto. Só tinha mostrado que algumas brincadeiras custam mais do que quem faz imagina.
*Continua em: 152 — Como lidar com descobrir que ganha menos que colega?*