A assembleia sindical estava lotada. O representante discursava com entusiasmo, defendendo a greve como única saída. Carlos discordava. Achava que a negociação poderia avançar sem paralisação.
— Vai falar? — o colega ao lado perguntou.
— Vou.
Carlos levantou a mão. O representante apontou.
— Pode falar, companheiro.
— Olha, respeito a posição de todo mundo aqui. Mas quero colocar um ponto: será que a greve é a única ferramenta? A gente não tentou mediação ainda. A diretoria não sinalizou abertura?
O representante franziu a testa.
— Já sinalizou, mas é jogo de empurra.
— Eu concordo que é jogo de empurra. Mas a greve desgasta todo mundo. Se a gente esgotar a mediação primeiro, a população não fica contra a gente.
— A população já está contra — alguém gritou.
— Então a greve vai piorar. Proponho: duas semanas de mediação formal. Se não avançar, aí a greve entra como opção. Todo mundo vota.
O representante hesitou.
— Alguém apoia?
Cinco mãos se levantaram.
— Tá. Votamos.
A proposta passou.
— Discordar da posição do sindicato sem sair não é traição. É participação. Sindicato ouve quem aparece. Quem fica calado depois reclama. Carlos guardou o panfleto no bolso.
*Continua em: 1496 — Como pedir demissão por e-mail?*